“O mercado de veículos eletrificados é o futuro. Difícil vai ser ficar fora dele”, diz Luiz Henrique Gouveia, executivo do grupo ADTSA
Luiz Henrique Gouveia é diretor do segmento automotivo do Grupo ADTSA. Como executivo, estreou na marca Fiat, na revenda Italiana, onde atuou por cinco anos, passando em seguida para o Grupo Parvi, como diretor comercial. Ele foi “fundador” das revendas Volkswagen Bremen, no Recife (PE) e Salvador (BA). A fama de grande conhecedor do mercado que já lhe acompanhava o levou a outro patamar. Em 2004, chegou a ADTSA com o desafio de implantar o segmento de concessionárias no grupo. Foi quando surgiu a Meira Lins, uma das mais tradicionais revendas Volkswagen em Pernambuco. Em 20 anos, Luiz comandou a expansão do segmento e hoje o grupo ADTSA conta com 28 lojas, que representam sete marcas diferentes, atuando nos estados de Pernambuco e Ceará.
GRUPO EMPRESARIAL TRADICIONAL
O Grupo empresarial ADTSA é quase centenário, foi fundado em 1932. Começou na área de transportes, em Garanhuns, agreste pernambucano e, ao longo do tempo, ampliou suas operações com empresas em vários segmentos. No setor automotivo trabalha com as concessionárias Meira Lins (Volkswagen), Regence (Renault), Pigalle (Peugeot e Citroën), além de revendas Chevrolet, Volkswagen, Renault e Ford no Ceará. Estão assumindo em Pernambuco a representação da GWM (Great Wall Motors), fabricante chinesa de utilitários esportivos eletrificados no segmento premium.
MUDANÇAS NO SETOR AUTOMOTIVO
No momento em que as montadoras (pressionadas pela falta de componentes, resultando em dificuldades de manter a produção), optam por investir em veículos de maior valor agregado, como os utilitários esportivos (SUVs) e picapes, o papel do varejo também muda. Para Luiz Henrique é preciso buscar o equilíbrio entre volume de vendas e faturamento. Ele compara a administração atual do varejo com aquele prato balanceado indicado por nutricionistas, que contém um pouco de tudo para manter a saúde. No caso, a saúde financeira das revendas.
“Na minha opinião você tem que se preocupar com quatro variáveis: volume de vendas, margem de lucro, despesas e capital de giro. Trabalhar bem esses quatro pilares é o que vai fazer a concessionária se desenvolver”, ensina o executivo.
VALORIZAR PESSOAS É A RECEITA DO SUCESSO
Luiz Henrique Gouveia não cansa de repetir que o pilar principal de uma empresa são as pessoas. “São elas que fazem a roda girar. O grande trabalho nosso, além de se ocupar com as variáveis econômicas, é essa gestão de pessoas. Manter as pessoas sempre motivadas, felizes e respeitando umas às outras dentro do ambiente de trabalho”.
Para o executivo da ADTSA, quanto mais um líder cresce, mais ele tem que aprender a servir. “Servir é criar condições para que as pessoas desenvolverem seu melhor dentro do ambiente de trabalho”, e ele complementa: “crie condições de trabalho, facilite a produtividade utilizando ferramentas que descomplicam e desburocratizam a atividade”. O reconhecimento também é fator de motivação, diz Luiz Henrique. “Buscamos sempre exaltar e premiar os que se destacam e nunca criticar os que não se destacaram. Pelo contrário. A gente encoraja essas pessoas a estarem juntos dos melhores”, afirma.
Luiz Henrique comenta ainda que carro, ao contrário de muitos outros produtos, não se vende on line, O diretor diz que o primeiro atendimento hoje em dia até começa no ambiente virtual, ou pelo Google ou pelas redes sociais, mas o que faz diferença é o contato pessoal entre vendedor e comprador. “O cliente quer ver o carro de perto, quer tocar, sentir o cheiro – principalmente o brasileiro, ele gosta muito disso”.
INVESTIMENTOS LEVAM EM CONTA TENDÊNCIAS DO MERCADO
Prestes a abrir uma concessionária GWM no Recife, Luiz Henrique justifica o investimento do Grupo ADTSA na marca chinesa recém chegada ao Brasil. “Nós achamos que o mercado elétrico é o futuro. Difícil vai ser ficar fora disso. Você vê hoje todas as fábricas se organizando para esse mercado”, diz ele. Em relação a abertura de uma concessionária Ford em Juazeiro, tem a ver com o nicho de mercado contemplado pela marca americana.
“A Ford está apostando muito no segmento de SUVs, com o Bronco e a Territory, sem falar no segmento das picapes. A F-150 é o carro mais vendido nos Estados Unidos há 20 anos, então apostamos nesse novo momento da Ford no Brasil”, diz ele, com esperança que as taxas de juros caiam e os bancos aumentem o percentual de financiamentos aprovados. “Este ano pretendemos crescer em torno de 10%, isso acontecendo acredito que, no ano que vem, chegaremos ao volume de negócios anterior a pandemia”, projeta Luiz Henrique Gouveia.