Carro camuflado vale R$ 1 milhão e você já viu na rua

Renegade 2022 turbo

Por Sílvio Menezes

Quem circula pelas principais avenidas do Grande Recife certamente já viu um comboio de automóveis esquisitos, camuflados, rodando a todo vapor.

Os veículos cobertos são, na verdade, modelos de testes que vão ajudar o fabricante a definir os ajustes e como serão os carros que veremos nas concessionárias num futuro.

Chamados de mulas nas fábricas, esses modelos guardam muitos segredos que nós vamos revelar a partir de agora. E um desses segredos é que cada carro desses pode custar mais de R$ 1 milhão ao longo do projeto.

O Carro Arretado detalha pra vocês vários pontos. Os veículos camuflados existem em todas as marcas e em qualquer parte do mundo, principalmente nos arredores das fábricas de automóveis.

Eles se tornaram comuns em nossa região depois da instalação da Jeep em Goiana, Zona da Mata de Pernambuco, porque a montadora intensificou os experimentos em automóveis do grupo Stellantis, da qual fazem parte marcas como Jeep, Fiat, Peugeot e Citroën, só para citar as mais conhecidas.

A proposta dos camuflados é sempre a mesma: testar o veículo e equipamentos à exaustão nas ruas e esconder ao máximo informações dos concorrentes até o dia de lançamento.

Como funciona

As montadoras vestem os carros com essas capas para esconder da concorrência suas invenções que podem ser motores, carroceria e equipamentos.

E eles recebem uma “roupa” para cada ocasião. Os automóveis vestidos com a capa preta indicam que eles estão numa fase inicial.

Os camuflados – com adesivos xadrez ou desenhos variados – mostram um modelo mais próximo da realidade.

E se você vir um comboio na rua saiba que a equipe está analisando simultaneamente componentes diferentes: um estuda a suspensão; o segundo avaliando o câmbio, motor e o terceiro pode checar a aerodinâmica, tipo de pneu mais adequado e por aí vai.

O fabricante produz uma média de 20 unidades para testes. “Cada departamento da fábrica tem o seu modelo para “brincar” e gerar relatórios, claro”, diz Ricardo Dilser, consultor técnico do grupo Stellantis.

Ele revela que nem tudo o que está embaixo da camuflagem é verdadeiramente do novo carro. A ideia é testar e manter o segredo dos adversários.

No período de testes os engenheiros podem misturar motor, câmbio, suspensão e freio de um Jeep com painel e até portas de outros modelos.

Como muitas peças ainda vão ser feitas para o futuro carro que não existe na linha de produção, os projetistas constroem componentes a mão ou com adaptações para não atrasar o cronograma até a apresentação final, que vai de 24 a 27 meses em média.

Daí uma explicação para o valor da mula ser bem elevado. O modelo de testes não pode parar e é uma prioridade nas fábricas.

O uso de peças improvisadas no painel e na parte estética, por exemplo, não vai interferir no resultado porque nessa fase estão sendo analisados outros itens do novo carro.

A exigência para poder rodar é que as mulas atendam a todas condições de segurança.

Como são muito caros, os carros de testes precisam rodar o máximo possível para justificar o investimento para a companhia. Não param. São levados ao extremo por engenheiros e pilotos treinados.

Os testes incluem ainda simulações em laboratórios e a prova das ruas. Antes de irem para a linha de produção, os carros precisam rodar até 1 milhão de quilômetros em diversos tipos de terrenos que pode passar pelas grandes capitais, áreas como desertos escaldantes até os lagos congelados no Polo Norte.

E para quem acha arriscado a montadora rodar com carro de um R$ 1 milhão 24 horas por todo tipo de terreno, Ricardo Dilser tem a resposta na ponta da língua.

“Não existe a preocupação de roubo. Muitas peças são experimentais. Para nós são imprescindíveis, mas para o público em geral não têm valor no mercado paralelo porque não se encaixam”, desconversa o executivo.

MAIS TESTES


Os testes não param. O fabricante simula situações em laboratórios e no mundo real. O Jeep Renegade vai ser lançado em fevereiro, mas engenheiros continuam trabalhando no desenvolvimento e aprimoramento de componentes e por isso os carros camuflados continuarão a ser vistos com frequência pelos próximos dias nas ruas de Pernambuco.

Na pratica quer dizer: carros melhores e muita gente curiosa

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