Primeiro Jeep produzido em Pernambuco saiu da fábrica em 1966. Conheça a história
No próximo dia 28 de abril, a fábrica da Stellantis, em Goiana (PE), completa oito anos de operação. De lá, já saíram mais de 1,3 milhão de unidades. A planta é também conhecida em Pernambuco como ” a fábrica da Jeep”, e a simplificação não é à toa. Apesar de também produzir a Fiat Toro, é de lá que saem os modelos Renegade, Compass e, mais recentemente, o Commander. Todos trazem a marca Jeep, que está ligada a história da indústria automotiva brasileira, e pernambucana, e não é de hoje.
A Jeep já teve uma fábrica em Pernambuco antes da moderna planta de Goiana. Na verdade, era uma montadora da Willys Overland, fabricante norte-americana que detinha a marca Jeep. As instalações ficavam em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. O local tinha 180 mil m² e lá ram montados o Jeep, a F-75 (que na época era chamada de picape Jeep) e a famosa Rural. Curiosamente, hoje no local funciona uma fábrica que fornece componentes automotivos para a planta de Jeep/Fiat em Goiana. A empresa também pertence ao grupo Stellantis.

JEEP FEITO NO NORDESTE ERA CONHECIDO POR “CHAPÉU DE COURO”
Os carros produzidos em Jaboatão vinham desmontados da fábrica da Willys em São Paulo. Carroceria, chassis e motores vinham de caminhão. Em Jaboatão eram montados, pintados e recebiam estofamento e capotaria. Em Olinda, outra cidade vizinha ao Recife, funcionava uma grande central de distribuição dos veículos para o Norte e Nordeste. Todo modelo produzido em Pernambuco recebia um emblema com o desenho de um chapéu de couro, identificando que o veículo tinha sido fabricado na “Willys do Nordeste”. Atualmente um autêntico Jeep “Chapéu de Couro” é muito valorizado entre colecionadores de carros antigos.
O impacto que a fábrica da Willys Overland teve em Pernambuco pode-se dizer, foi o mesmo da atual planta da Stellants para a região apesar, claro, das proporções menores da fábrica antiga. A reportagem do Jornal do Commercio de 14 de julho de 1966 dizia que Jaboatão seria a “nova São Bernardo do Campo”, e já vislumbrava a importância do polo automotivo incipiente com outros conhecidos como Detroit, nos Estados Unidos e Córdoba na Argentina.
A planta da Jeep fazia parte do Projeto Nordeste, da Willys Overland, com investimentos de CR$ 11 bilhões (o Cruzeiro era a moeda da época). A expectativa é que empreendimento atraísse outras 40 empresas fornecedoras de componentes. Uma centro de capacitação foi montado no local, afinal, o único curso técnico que existia na cidade naqueles tempos era o de corte e costura.

BOM ACABAMENTO E VENDA PARCELADA FIZERAM DO JEEP SUCESSO DE VENDAS
Estima-se que em seu melhor momento, a Willys do Nordeste chegou a ter cerca de 1.000 funcionários e produzia 860 veículos por mês. Nas concessionárias da Região Nordeste os carros faziam sucesso pelo nível de acabamento e facilidade de compra. O plano de vendas oferecia opção de entrada de 40% e o restante dividido em 10 vezes. Nos anos 70 a Willys americana foi comprada pela Ford, que manteve a produção do Jeep, Rural e F-75 no Brasil, embora defasados em relação às versões americanas.
No início dos anos 80 a Ford decide encerrar a produção da linha Jeep no País. A fábrica de Jaboatão é praticamente desativada, passando a produzir molas, uniformes e luvas. Só na década de 90 volta a ter importância com a fabricação de chicotes elétricos para a Autolatina (parceira entre Ford e Volkswagen). Com o fim da união, a empresa é adquirida pela Fiat, e passa a ser gerida pela Magnetti Marelli, até virar Stellantis. Só com a criação do grupo FCA (Fiat Chrysler Automobile) em 2014, é que a marca Jeep volta como fabricante ao Brasil. Coincidência ou não, na mesma terra que a recebeu quase 60 anos antes e que rendeu bons frutos.
Fotos: reprodução site willysoverland.com.br