Comercialização de CARROS ELÉTRICOS no Brasil terá novas regras, entenda as mudanças
Em 2022 a venda de carros eletrificados no Brasil bateu um novo recorde com 49.245 unidades emplacadas, segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). O ano de 2023 não começou diferente, o mês de janeiro registrou um forte crescimento nas vendas. As 4.503 unidades comercializadas representaram 76% de incremento em relação a janeiro de 2022. Com isso, a frota de carros eletrificados (híbridos e elétricos puros) rodando no País, já supera os 100 mil veículos.
NOVAS REGRAS PARA CARROS ELÉTRICOS PODEM AFETAR A COMERCIALIZAÇÃO?
Apesar do bom momento do mercado para os veículos movidos a energia novas regras podem influenciar na decisão de compra dos consumidores daqui por diante. Os fabricantes instalados no Brasil articulam junto ao Governo Federal a mudança nas regras de importação de veículos eletrificados. A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), defende o fim gradativo do imposto zero de importação para veículos eletrificados. Hoje, veículos importados à combustão pagam 35% de imposto e os eletrificados são isentos.
A justificativa para o fim da isenção do imposto de importação seria incentivar a produção local de veículos elétricos. Atualmente apenas a Toyota e a Caoa Chery produzem veículos híbridos no Brasil, sem contar com isenção de impostos específica, e nenhuma montadora tem produção local de elétricos puros. A reivindicação da Anfavea coincide com a chegada de novas marcas chinesas ao mercado brasileiro que apostam pesado nos eletrificados (Great Wall, BYD e GWM).
CARROS ELÉTRICOS TERÃO REDUÇÃO NA AUTONOMIA DIVULGADA
O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) está implantando uma nova forma de apresentação do seu programa de etiquetagem veicular. Os resultados de consumo dos veículos eletrificados terão um fator de correção que irá reduzir a autonomia declarada em cerca de 30% em relação aos dados obtidos em laboratório. Na prática, um carro elétrico que antes tinha a autonomia declarada de 300 km terá estampada na etiqueta do Inmetro 210 km como limite de alcance o que, num primeiro momento, pode confundir o consumidor interessado no veículo, que pode achar que o modelo perdeu autonomia em relação às versões anteriores.
Em comunicado, o Inmetro explica que o fator de correção já é aplicado nos testes de consumo dos veículos à combustão e justifica a implantação para os veículos elétricos dizendo que o consumo de energia divulgado será mais próximo do uso real do veículo. “Não há mudança no método de ensaio, mas sim uma novidade na apresentação da informação para o consumidor, que passa a ver, na tabela, a autonomia do veículo em distância percorrida, e não a conversão em km/l, como era feito anteriormente. Esse formato de apresentação dos dados acompanha a evolução do mercado de carros elétricos e vem sendo discutido com toda a indústria há alguns anos, tendo passado inclusive por processo de consulta pública em 2020”, comentou Hércules Souza, chefe da divisão de verificação e estudos técnicos do Inmetro.