CARRO POPULAR. Vendas diretas para PESSOAS FÍSICAS terão impacto nas CONCESSIONÁRIAS?
Entre as medidas anunciadas pelo Governo Federal na última sexta-feira (26) para alavancar as vendas de carros nacionais, como a redução de impostos, um dos pontos que ficou em aberto foi a possibilidade da venda direta dos modelos chamados “populares” para as Pessoas Físicas.
Até agora, esta modalidade de vendas só é permitida para empresas, produtores rurais, órgãos do governo e para quem tenha CNPJ, como os micro empreendedores individuais (MEI). Pessoas Físicas só têm acesso à venda direta de carros novos se forem enquadradas como PCD (pessoas com deficiência), tendo que atender a uma série de requisitos.
Na venda direta, a comercialização é feita entre o comprador e o fabricante, sem a intermediação da concessionária. A ideia do governo é que seja possível agregar menos custos à venda ao consumidor, e portanto, oferecer mais descontos no valor final do veiculo, além dos incentivos fiscais já previstos no programa.
https://www.youtube.com/shorts/NimPwU5zqwI
CONCESSIONÁRIAS SÃO CONTRA VENDA DIRETA PARA PESSOA FÍSICA
Existe uma resistência por parte da concessionárias para ampliar a venda direta para qualquer consumidor. É que, apesar de usar a estrutura da loja para a entrega do veículo, nesta modalidade a concessionária perde o poder de negociação com o consumidor, o que na prática representa um faturamento menor.
A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE) declarou que aguarda a publicação das medidas do Governo para aumento das vendas de carros zero km no País, e que apoia um programa que seja voltado às pessoas físicas, que foram retiradas da base de consumo durante a pandemia, por terem perdido poder de compra. A Fenabrave diz ainda estar confiante no esforço do Governo Federal em facilitar o acesso ao carro zero.
Mas a federação também divulgou que a comercialização dos veículos deve ser realizada, exclusivamente, por meio das concessionárias. As concessionárias, diz a Fenabrave, estão se preparando para atender a esta nova demanda e para receber reservas dos consumidores.
“Somos mais de 7.300 Concessionárias que, juntas, empregam, diretamente, 310 mil pessoas, em mais de mil municípios, em todos os estados brasileiros, e respondem, sozinhos, por 5,13% do PIB Nacional. Realizamos não só a distribuição de veículos, mas, também, respondemos pela manutenção dos mesmos. Somos o elo que garante atendimento de milhões de consumidores em todo o território nacional e isso é um direito que o cliente não irá perder”, afirmou em Andreta Jr., presidente da Fenabrave.
A venda direta para Pessoa Física pode até nem fazer parte da versão final do programa de acesso ao carro popular. As definições serão apresentadas nos próximos dias pelo Ministério da Fazenda. A venda direta responde atualmente por quase metade da comercialização de carros novos no País.