Carro Arretado em O Agente Secreto. Conheça os bastidores e carros do filme que está com um pé no Oscar

Notícias 17/01/2026

Produção do filme reuniu relíquias no Recife

Sucesso de crítica e público, o premiado filme O Agente Secreto vem conquistando o mundo. O longa-metragem do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, vencedor do Globo de Ouro, deu uma visibilidade gigantesca aos veículos antigos e virou tema central de conversas entre os colecionadores e amantes do automóveis no País. Não é pra menos. A trama se passa no final dos anos 1970 e a produção do filme alugou 169 carros para retratar o Brasil daquela época.

O filme reuniu verdadeiras raridades durante as gravações em São Paulo, Brasília e principalmente no Recife, onde ocorreu a maior parte da trama. Em Pernambuco, a produção de O Agente Secreto contactou diversos colecionadores e donos de antigos para atuarem como coadjuvantes, ainda no começo de 2024. Três meses depois, os trabalhos começaram pra valer. 

A relação incluiu veículos produzidos antes dos anos 80. João Lucas, produtor responsável por garimpar os carros antigos, explica que precisaram contratar no Recife 142 automóveis, outros 12 em São Paulo e mais 15 em Brasília. 

Na lista, Corcel, Brasília, TL, Puma e Karmanguia, Veraneio, Caravan, ônibus, caminhões, Kombi e Fusca, principalmente. O editor desta coluna e apresentador do Carro Arretado, Sílvio Menezes,  participou das gravações com o seu Fiat 147 vermelho, ano 1978. Ele esteve no set de filmagem por seis vezes.

As gravações do Recife ocorreram em vários pontos da cidade: na universidade federal de Pernambuco e, principalmente, no Centro da capital. Mas uma das tomadas parou a cidade de verdade. Às vésperas do São João de 2024, a ponte que liga o Cabanga ao Pina precisou ser interditada por algumas horas para as filmagens. Apesar de ser um fim de semana e dos avisos prévio da imprensa, os engarrafamentos foram inevitáveis. 

A pista era liberada a cada meia hora para que o trânsito pudesse fluir e depois a ponte voltava a ser interditada. E quem ficou preso no engarrafamento não perdoou figurantes, atores, produtores e diretores do filme. “Seus filhos da p…. Estão atrapalhando a vida do povo”, foram algumas das saudações mais generosas de quem passava pelo local da gravação após ficar preso no trânsito. 

Tirando o Fusca amarelo usado por Wagner Moura e meia dúzia de outros veículos conduzidos por atores profissionais, os demais carros eram pilotados pelos próprios colecionadores. 

Para evitar que algo saísse do contexto, a recomendação dos produtores era pra ninguém usar celular e trocar a camisa por roupa de época. Havia também a recomendação de evitar relógios e óculos para não destoar dos acessórios usados nos anos 70.

Para deixar tudo mais realista, a produção trocou as placas dos veículos atuais por outras amarelas com duas letras e quatro números, usadas na época. 

Na hora da gravação das cenas, nada de uso de cinto de segurança já que na época era raro alguém usar. Para não causar efeito artificial, a produção do filme recomendava que ninguém desse polimento nos veículos. Preferiam que colecionadores trouxessem os carros empoeirados, garantindo assim mais naturalidade no cotidiano.

Qualquer imprevisto, era resolvido ali mesmo na hora pelos colecionadores, especialistas em resolver problemas de carros antigos. 

À medida que as gravações avançavam, os donos dos antigos se empolgavam e ao final todos se sentiam colaboradores do filme. 

DIÁRIAS

Cada diária, a produção pagava R$ 450 pelo aluguel do veículo e fornecia alimentação. Importante lembrar que café da manhã, lanche e almoço eram realizados em conjunto com atores e figurantes e toda a equipe responsável pelo filme. E tudo no mais alto padrão, importante dizer. O dinheiro até que ajudou a pagar umas contas, mas bom mesmo é dizer que estamos no filme rumo ao Oscar 2026.

O filme O Agente Secreto conquistou dois prêmios no Globo de Ouro, considerado a prévia do Oscar. Wagner Mora levou a estatueta de melhor ator e O Agente Secreto arrematou melhor filme de língua não-inglesa. O filme conta a história de um professor que, em 1977, foge de São Paulo para Recife para escapar do passado durante a ditadura militar, vivendo com refugiados e confrontando sua própria identidade em meio a lendas urbanas e tensões políticas. 

Mais de 1 milhão de pessoas já assistiram ao filme nos cinemas.

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